Emissões Otoacústicas (EOA) em Brasília
O exame que detecta lesão coclear antes do audiograma acusar
As Emissões Otoacústicas em Brasília são realizadas no INAB, Instituto de Neuroaudiologia de Brasília, com unidade em Águas Claras, Região Administrativa do DF. O exame capta os sons produzidos pelas células ciliadas externas da cóclea em resposta a um estímulo, um eco fisiológico que só existe quando essas células estão funcionando.
A associação imediata é com o teste da orelhinha, e ela é correta. Mas reduzir as EOA à triagem neonatal desperdiça o que o exame tem de mais valioso para adultos: sensibilidade precoce. As células ciliadas externas são as primeiras a sofrer com ruído e com medicamentos ototóxicos, e a alteração aparece nas emissões antes de rebaixar o audiograma.
Por que as EOA detectam antes
A cóclea tem dois tipos de células ciliadas. As internas transmitem a informação ao nervo auditivo; as externas funcionam como um amplificador biológico, refinando a sensibilidade e a seletividade de frequência. São essas últimas que geram as emissões otoacústicas.
Acontece que as células ciliadas externas são também as mais vulneráveis. Elas se lesionam primeiro. Enquanto a perda ainda é insuficiente para deslocar os limiares no audiograma, a resposta otoacústica já reduziu ou desapareceu. Essa janela é o que torna o exame indispensável em três cenários:
- Monitoramento de ototoxicidade: pacientes em uso de aminoglicosídeos, cisplatina e outros quimioterápicos, em que a detecção precoce permite ajustar a conduta.
- Vigilância de exposição a ruído: músicos, profissionais de obra e quem usa fones em alto volume por longos períodos.
- Investigação de zumbido com audiometria normal: a emissão alterada pode ser o único achado objetivo.
- Diagnóstico de neuropatia auditiva: quadro em que as EOA estão presentes e o PEATE está alterado, combinação que só se identifica fazendo os dois.
- Perda auditiva súbita: contribui na avaliação do comprometimento coclear e no acompanhamento da recuperação.
EOA Transientes e Produto de Distorção
São duas modalidades, com finalidades diferentes, e o protocolo escolhe conforme a pergunta clínica:
- EOAT (Transientes): estímulo tipo clique, resposta global da cóclea. É a modalidade padrão para triagem, incluindo neonatal, por ser rápida e robusta.
- EOAPD (Produto de Distorção): dois tons puros simultâneos geram uma terceira frequência mensurável. Permite avaliar faixas de frequência específicas e monta um perfil coclear detalhado.
- Preferência em monitoramento: a EOAPD cobre melhor as frequências altas, justamente as primeiras afetadas por ruído e ototoxicidade.
- Registro automático: nas duas modalidades, o resultado não depende de atenção ou colaboração do paciente.
- Pré-requisito comum: ambas exigem orelha média íntegra, confirmada pela impedanciometria.
Como é feito o exame no INAB
O exame leva cerca de cinco minutos por paciente e não exige preparo, jejum ou suspensão de medicamentos. Uma sonda macia é posicionada na entrada do conduto e o registro é automático. Não há agulhas, eletrodos ou corrente elétrica.
O requisito é silêncio: ruído ambiente e movimentação contaminam o registro. Por isso o exame é feito em sala tratada acusticamente e, em bebês, preferencialmente durante o sono. Antes de iniciar, sempre fazemos a meatoscopia, cerume, vérnix ou efusão bloqueiam o trajeto do som e produzem uma ausência de resposta que não corresponde a lesão coclear real.
O resultado não é um diagnóstico isolado
Uma emissão ausente diz que o som não fez o percurso de ida e volta. Ela não diz por quê. Interpretar isso exige contexto, e é aí que o laudo do INAB se diferencia de um resultado automático de aparelho:
- Com impedanciometria alterada, a ausência provavelmente é condutiva, não coclear.
- Com impedanciometria normal e audiometria rebaixada, o achado é compatível com lesão coclear.
- Com EOA presentes e PEATE alterado, a suspeita passa a ser de neuropatia auditiva.
- Em criança, a leitura precisa considerar a etapa do desenvolvimento e o histórico de otites.
- Em monitoramento, o que importa não é o valor absoluto, mas a variação em relação ao exame anterior.
Onde fazer Emissões Otoacústicas em Brasília
O INAB atende na Rua das Paineiras, 3 - Bloco A, Sala 409, Edifício Cosmopolitan, Águas Claras, Brasília - DF, com acesso pela EPTG, pelo Pistão Sul e pelo Metrô-DF.
Atendemos pacientes do Plano Piloto, Sudoeste, Octogonal, Lago Sul, Lago Norte, Guará, Park Way, Taguatinga e Vicente Pires. Para triagem em recém-nascidos, consulte também a página de triagem auditiva neonatal. Agende pelo WhatsApp (61) 99965-5533.
Perguntas frequentes
Emissões Otoacústicas servem só para bebês?
Não. Em adultos, são fundamentais no monitoramento de medicamentos ototóxicos, na vigilância de exposição a ruído, na investigação de zumbido e no diagnóstico diferencial de neuropatia auditiva.
As EOA detectam perda auditiva antes da audiometria?
Podem detectar antes em muitos casos, porque as células ciliadas externas se lesionam primeiro. A alteração na resposta otoacústica pode surgir enquanto os limiares do audiograma ainda estão normais.
Qual a diferença entre EOAT e EOAPD?
A EOAT usa estímulo clique e dá uma resposta global, ideal para triagem. A EOAPD usa dois tons simultâneos e avalia frequências específicas, sendo preferida em monitoramento por cobrir melhor as frequências altas.
Cera no ouvido interfere no resultado?
Sim, e bastante. Cerume obstruindo o conduto bloqueia o trajeto do som e pode gerar ausência de resposta sem que haja lesão coclear. Fazemos meatoscopia antes de cada exame.
As EOA substituem o PEATE?
Não. As EOA avaliam a cóclea; o PEATE avalia a via auditiva do nervo coclear ao tronco encefálico. Há quadros que só se identificam ao comparar os dois exames, como a neuropatia auditiva.
Estou em quimioterapia. Com que frequência monitorar?
O intervalo é definido junto à equipe oncológica e ao protocolo do medicamento em uso. O importante é ter um exame de base antes do início do tratamento, para que as comparações posteriores tenham referência.